Arquivo paraAbril, 2008

Delirious?

 

“Os homens que alardeiam autoridade, demonstram não a possuir. E os reis que fazem discursos sobre submissão, apenas revelam um duplo temor em seus corações: não têm certeza de serem realmente verdadeiros líderes, enviados por Deus. E vivem um pavor mortal de uma revolução” (Extraído do livro “Perfil de Três Reis”, de Gene Edwards, escrito em 1980).

É engraçado como posições como a de lider revelam corações e motivações. Desde que comecei a liderar um grupo de louvor, não páro de rever minhas motivações, tentando sempre manter meu coração no lugar certo, e esse lugar não tem nada a ver com destaque, mas em sair disso tudo com um espírito livre. Eu não consigo ver algumas coisas na Bíblia que as pessoas insistem que está lá, principalmente quando o assunto é liderança. Mas se nos espelhamos naquele que sabe de tudo, vemos que tipo de líder ele quer que sejamos, e esse líder não tem nada a ver com o que muitas vezes tenho visto e algumas vezes ouço que “devo me parecer”. Essa conversa de “postura”. Ainda não me convenceram. Talvez por isso que ainda não tenho meu nome em outdoors ou em capas de revistas. Acho isso tudo muito sujo.

Mas voltando ao ponto importante, tendemos sempre a pensar em nossos lideres quando lemos algo dessa natureza, mas você quer saber a verdade? Esse Saul terrível e sanguinário mora bem perto de nós. Tenho pensado muito nisso ultimamente e decidi escrever aqui. Talvez soe meio confuso, mas é escrevendo que clareio a minha mente.

Quando penso em motivações, uma coisa vem a minha mente, e é que não vivo mais, mas Cristo, o ungido, o messias, vive em mim. Ele é responsável por minhas decisões e motivações ( não que não tenha mais identidade, mas os que vivem no espírito são levados por esse caminho que é totalmente vivo e novo, fora do conceito e contexto que tudo ao redor teima em dizer que você faz parte) e apartir do momento em que ele realmente tomou conta de tudo, com ele está a imagem que devo ter, que com certeza vou mostrar para o mundo, que não pode ficar escondido debaixo de um alqueire. E se estou agindo no mesmo espírito que ele, provavelmente causarei um alvoroço por onde eu passar, seja por uma multidão de pessoas que desejam o que Ele tem pra oferecer atravéz de mim, ou uma multidão pronta para crucificar-me por causa do que eles não estão oferencendo a Ele. Bom, alguma coisa acontece. Mas o que me incomoda é essa facilidade, ou melhor, habilidade como invertemos nossos papéis e dificilmente aceitamos o que é certo e justo. Ajustamos a palavra de Deus convenientemente para que entre em nossos padrões, agradando, satisfazendo os nossos interesses ainda que eles permaneçam ocultos para os que possuem menos discernimento. Mas esse tipo de caráter e espírito dificilmente passa despercebido pelos olhos daqueles que decidem se submeter a Deus. Como Jesus que reconhecia um coração orgulhoso, esteja ele vestido em trajes finos ou por detrás de uma roupa de uma humilde viuvinha. Os olhos de Jesus revelam motivações e corações, nada lhe escapa. Por isso a necessidade de olhar para Ele. Como nunca antes na minha vida tenho me perguntado: “O que Jesus faria agora?” Essa é uma pergunta perturbadora por ofender o cerne da questão e á questão aqui não é o outro, diz respeito a mim! Isso é difícil até de explicar porque estamos tão acostumados a lançar a carga nas costas dos outros que dificilmente percebemos que as mudanças e as respostas moram dentro de nós. Isso me lembra muito Francisco de Assis. Esse rapaz buscou essa serenidade. O caráter totalmente entregue a Deus e sua vontade era quase palpável. AS escolhas deixam de rodar ao redor do “eu” e passam a ter um só foco, ponto de partida e chegada, Jesus é único.

Não importa o que façamos, se dentro de nós não tiver amor, se nossa motivação for mil e uma outras coisas, isso tudo não será nada. E engandos seguiremos enganado a muitos. Aprendi uma coisa todos esses anos de intensa luta contra o pecado, o orgulho, uma auto-imagem distorcida, o meu modo de pensar sobre mim mesma tão desorientado e sempre me colocando para baixo. Aprendi que o amor, a simplicidade, humildade e sinceridade me protegem de tudo o que esse mundo diz ser importante que é o prazer, poder e satisfação. Jesus não abusava do poder que tinha, ele nunca usou seus superpoderes para assustar aqueles que eram oposição. Ele não era “esse ou aquele”, esquerda ou direita, Ele simplesmente é.  Ele não apoiava esse ou aquele lado. Como ele, eu também inúmeras vezes poderia abusar do meu poder. Manipular pessoas para fazerem o que eu gostaria, usá-las para chegar em algum lugar que leva a lugar nenhum, esse tipo de coisa. Mas se você quer saber, que me tirem tudo, que me façam andar uma milha extra, que me esbofeteiem com palavras (ou até com olhares…eles também doem). Eu não abrirei mão da simplicidade, da beleza da fraqueza, a loucura do silêncio. Eu decido agir no Espírito, a ser dirigida por ele, mesmo que isso ofenda a minha mente e o meu pseudo bom-senso. Isso não diz respeito aos outros, é um exercício pessoal que nos leva a cruz, à morte. Que venha o reino sobre mim. Que esse governo seja real em mim e ponto final!

Vou parar por aqui.

Estrada para a humildade

O escritor cristão Watchman Nee sempre marcou muito a minha vida. Ele foi um homem totalmente devotado ao Senhor. Ficou preso durante anos e lá na prisão escreveu coisas poderosas para nós aqui nesse tempo louco e conturbado. Em um de seus livros, ele declara que o quebrantamento é a arma mais poderosa de Deus para nos forjar e trazer para fora da “casca” aquilo que há de mais poderoso no cristão: o Espírito. E a maneira de Deus lidar com essa nossa casca dura é o quebrantamento. Ele contou vários testemunhos sobre irmãos que tinha um grande potencial, mas que por causa da sua dura casca, da sua natureza que muitas vezes impedia o fluir do Espírito, Deus permitia coisas terriveis para que esses irmão chegassem a um nível de fé que poderia mover montanhas literalmente. Muitos deles são hoje os grandes homens e mulheres que levaram o evangelhos a muitos países. Deus deseja fazer isso conosco. Nestes últimos dias tenho percebido esse cuidado de Deus que não nos deixa confundidos nem desamparados. Precisamos nos sujeitar e deixar Deus ser Deus, mesmo quando a dor é intensa demais e as lágrimas parecem canivetes na alma.

” Humilhai-vos pois debaixo da poderosa mão de Deus, para que em seu tempo Ele vos exalte…ele mesmo vos aprefeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá”. I pd 5.

“Homens intactos, inteiros e sem quebrantamento são de pouca utililidade para Deus”.