Somos livres. Pelo menos é o que todo mundo diz. Mas tenho visto que a liberdade mal-administrada é um perigo. Um veneno ministrado gota a gota. O que acontece é que somos livres pra fazer qualquer coisa, e falando agora a cristãos, somos livres para sermos cristãos ou sermos hipócritas. No fundo, sabemos que escolhemos mentir para os outros sobre quem realmente somos, e infelizmente ( ainda para cristãos) colocamos a culpa em todas as hordas infernais, menos no inferninho que deixamos crescer dentro do coração, por escolha própria. Quando as presepadas de um político de caráter duvidoso começam a aparecer, isso nos ofende, porque é o nosso rico dinheirinho que está indo parar no bolso de um pseudo bom cidadão brasileiro. Logo algum amigo da onça nos lembra que foi nossa liberdade de escolha que o colocou lá. Em nosso trabalho, todo dia é aquela reclamação. Cansativo demais, monótono demais, leva tempo demais da nossa vidinha, e pior, paga-se ” de menos”. Mas alguém obrigou você a levar seu currículo para aquele lugar? Porque não continuar “liso” mas feliz? Se você parar pra pensar tudo o que reclamamos, foi escolha nossa. Mesmo aquilo que esteve aparentemente fora do seu controle, como porquê você tem a família que tem, ou porque seus pais fizeram isso ou aquilo, ou o que eles não fizeram, tudo isso só tem consequências na sua vida até onde você escolhe que elas tenham controle sobre quem você é. Outro dia em uma conversa com umas amigas, chegamos a conclusão que tudo é uma questão de escolha. Amar, ser feliz. Tudo é um posicionamento onde você usa a sua liberdade e a administra da maneira que bem entender. Bem ai é o ponto. Costumo sempre pensar que a maior força está, não em quem consegue vencer, mas em quem de livre vontade se doa ao vencedor. Há força na fraqueza, na escolha de deixar que outro, mais sábio escolha com você, oou melhor, ensine você a escolher. Alguém nesse mundo tem poder para mudar nossa história? Não. Mas o que acontece é que entregamos nosso ouro para a pessoa errada. Jogamos nossas emoções ao acaso e quem estiver mais perto leva. Isso é suicídio! Lendo algumas obras de Nietzsche, penso na quantidade de gente que foi atrás dele. Cada loucura e no final da vida, ele mesmo se “reagarrou” a fé. Uma fé disfarçada, mas não deixava de ser fé. Ele mesmo era confuso, mas uma multidão seguiu seus devaneios e uma geração de críticos de “qualquer coisa” se levantou e deu de ombros a tudo que os “simples” acreditavam. Cegos, diria Paulo. Outro dia ví um cego guiando outro cego e achei engraçado. Imaginei que um queria saber mais do que o outro mas no final lá estavam os dois perdidinhos, tateando a escuridão. Talvez Deus esteja nos olhando por uma janela achando interessante como vemos e não vemos, e nós, perdidinhos, tateamos a realidade achando que sabemos tudo e brigamos uns com os outros para saber quem tem a força, a verdade absoluta. Temos liberdade para escolher continuar tateando, ou nos entregar a quem tudo vê. A verdade é que quando jogamos a toalha, humilhados por nossa debilidade em desfrutar da liberdade da maneira correta, começamos a enxergar o que estava oculto. As escolhas começam a fazer sentido. Pequenas escolhas do dia a dia se tornam complexos meios de aprendizagem. Mas isso é para almas superiores. Penso que nesse mundo louco onde o nosso pensamento corre a mil por hora, pouquíssimos seres humanos tem escolhido a vida. Mesmo quem acha que já chegou, talvez um dia se surpreenda ainda na linha de partida. A nossa liberdade é limitada pelo amor. Mal administrada ela pode nos matar. Ultimamente tenho sido bonbardeada por uma série de escolhas que tenho que fazer todo dia. Acordo e escolho adorar a Deus em toda situação, por todas as coisas que aconteçam e com toda a força que tenho, ou pensar se serei aceita em tal lugar, se vão gostar da maneira como me visto, se fulano ou sicrano gosta de quem eu sou ou se tenho que fingir um eu sou diferente, deixar minhas achologias me dominarem, pensamentos negativos, emoções mal-resolvidas. Mais uma vez quero ressaltar essa frase: a liberdade é limitada pelo amor. Esses limites que estão incutidos no amor em nada tem de prejudicias. Na verdade a Bíblia toda, na minha concepção, fala desses limites que o amor coloca para nós, com a finalidade de nos fazer sempre bem ainda que por um breve momento pareça tão destrutivo quanto o mal de um inimigo qualquer. Escolhas, sempre escolhas. Ser emocional, ser racional, ou ser como Jesus. Eu me assusto com a complexidade desse assunto.